Não existem sentimentos errados
“Porque o que tem sido problemático para o homem ocidental não é tanto as suas lutas com outras pessoas e as suas necessidades e problemas, mas sim as suas lutas contra os seus próprios sentimentos - com aquilo que ele se permitirá sentir e aquilo que não se permitirá sentir.
Ele tem vergonha de se sentir profundamente triste. Um homem não deve chorar. Ele tem vergonha de detestar alguém, porque lhe disseram para não odiar as pessoas. Ele tem vergonha de ser conquistado pela beleza de alguma coisa - seja uma paisagem natural ou um membro do sexo oposto -, porque ser conquistado significa não estar no controle. Em consequência dessa repressão, ele acaba perdendo o juízo. Sempre ficamos fora de controle quando não aceitamos os nossos sentimentos, quando tentamos fingir que a nossa vida interior é diferente daquilo que ela realmente é.
Possivelmente a coisa mais libertadora que qualquer pessoa pode entender é que os nossos sentimentos interiores nunca estão errados. É claro que eles podem não ser um guia correto de como deveríamos agir. Se você sente que odeia alguém com intensidade, não é necessariamente correto pular em cima daquela pessoa e cortar-lhe a garganta. Porém, é correto que você deva ter o sentimento de ódio. Quando uma pessoa recobra os sentidos, ela e os seus próprios sentimentos passam a ser uma única coisa. E esse é o único modo de controlá-los.
O marinheiro sempre mantém o vento em sua vela. Quer queira navegar a favor ou contra o vento, ele sempre usa o vendo. Ele nunca rejeita o vento.

Excerto do livro “Cultura da Contracultura” de Alan Watts. Sumário:
I. Misticismo e Moralidade
II. Sendo Deus
III. O que é Realidade?
IV. Do Tempo à Eternidade
V. O Perfume das Amêndoas Torradas
VI. Filosofia da Natureza

7 de Setembro de 2008 @ 17:49
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