A Sabedoria da Natureza

9 de Novembro de 2008 @ 20:54 por Oráculo

Quando os antigos gregos observaram a natureza, notaram a fragilidade da existência humana: animais e plantas reciclavam-se continuamente, mas o ser humano era único e mortal. A leste dali, porém, sábios orientais contemplavam a natureza e descobriam outras coisas. Havia uma sabedoria oculta nos elementos naturais - céu, água, plantas, etc -, e essa sabedoria compreendia valiosas lições para a vida humana. Esta é a visão da “filosofia de vida” chinesa chamada taoísmo. E este é o tema da obra “A Sabedoria da Natureza” de Roberto Otsu.

Roberto Otsu
O autor é muito feliz ao discorrer por vários ensinamentos orientais, passando por I Ching, Zen-budismo, Taoísmo e até ensinamentos essênios. Otsu emprega uma linguagem clara, com analogias ilustrativas, o que torna a leitura fácil e agradável. As melhores partes do livro são as lições da água e do bambu, e também o capítulo final sobre o céu, onde explica o yin e o yang e suas inter-relações. O capítulo sobre as árvores ficou mais distante do oriente, parecendo mais com obras de auto-ajuda de estilo ocidental.

Pelo sumário, dá pra perceber como é o conteúdo:

Capítulo 1: As lições das estações
- Significado das estações
- A mutação
- Os ciclos
- A impermanência

Capítulo 2: As lições da água
- A água vai pelo caminho mais fácil
- A água não briga com os obstáculos
- A água se acumula até encontrar a borda mais baixa
- O que mantém a vida da água é o fluxo
- O oceano é grande porque fica no lugar mais baixo
- Existe uma única água no mundo

Capítulo 3: As lições do bambu
- O bambu enraíza-se bem fundo antes de crescer fora da terra
- O bambu cresce reto e satisfeito com seu espaço
- O bambu é uma planta muito simples
- O bambu tem divisões que garantem a resistência
- O bambu curva-se no vendaval para não quebrar
- A maior qualidade do bambu é o vazio interior

Capítulo 4 - As lições da árvore
- Goiabeira dá goiaba
- A copa não existe sem a raiz
- As folhas caem, o tronco fica
- O tronco cresce em camadas
- A fruta cai no chão para gerar uma nova árvore
- A árvore começa com a semente

Capítulo 5 - As lições do céu
- O dia tem sombras e a noite tem a luz dos astros
- Não existe separação entre dia e noite
- A noite é a realidade do universo
- Estrelas são direções e não metas
- O movimento do Sol é aparente
- A luz do Sol incide sobre tudo

A Grande Muralha

23 de Setembro de 2008 @ 21:02 por Oráculo

“A autora Julia Lovell explora o passado da China e sua relação com o resto do mundo ao contar a dramática construção de um de seus mais famosos ícones. Com lendários 2.200 anos e quase 7.000 quilômetros de extensão, a Grande Muralha tem uma história mais fragmentada e sangrenta do que pode imaginar a multidão que a visita.

Lovell dá uma dimensão humana a essa estrutura, escrevendo sobre os imperadores que planejaram a construção, as pessoas que trabalharam nas obras, viveram e tomaram conta dos muros e os que morreram por excesso de trabalho, fome e frio.”

A Arte do Origami

20 de Setembro de 2008 @ 22:26 por Oráculo

Barco de papel
Todo mundo aprende, quando criança, a fazer barcos ou aviões de papel. Todo mundo não, corrijo-me. Só as crianças que têm acesso ao papel, o que não é unanimidade no Brasil nem no mundo. Parece piada, mas em um blog que fala de livros, há que se lembrar da enorme população infantil que não vê papel no dia a dia ou, se o vê, não sabe ler ou escrever nele.

Origamis
Problemas sociais à parte, essa postagem é para falar do origami, que significa em japonês: ori (dobrar) kami (papel). Origami é a arte da dobradura de papel. Falávamos dos barcos e aviões feitos com papel dobrado. Acho que podemos considerá-los também origamis, pois não violam a primeira e principal lei “origâmica” - só vale dobrar. Ou seja, nada de cortar e colar (ainda que a pesquisa histórica revele que, nos primórdios, eram utilizados).

Akira Yoshizawa
E por falar em história, não há registro oficial das origens do origami, mas decerto surgiu no Japão, no período Edo (1603 a 1867). Inicialmente, usavam as figuras como adornos religiosos, e não havia instruções para confecção. Depois, com a disseminação do papel, o origami virou arte popular. Cito aqui apenas um dos mestres do origami: Akira Yoshizawa (1911-2005), artista que acrescentou técnicas criativas às dobras, permitindo a criação de figuras mais complexas que as do passado.

Grou
Hoje em dia faz-se origami de vários temas: animais, flores, elementos decorativos, uns bens simples e outros complexíssissimos, como dragões orientais cheios de escamas e asas. Mas a figura símbolo do origami, a mais popular, é chamada tsuru, nome em japonês do pássaro grou.

Tsuru
Utiliza-se o origami tsuru em festividades - nascimentos, casamentos, Ano Novo, simbolizando saúde e fortuna. A própria ave tsuru é símbolo de longevidade no Japão. Se alguém estiver acamado, oferece-se mil tsurus, feitos com pensamento positivo, para que a pessoa se reestabeleça rapidamente. Também dizem que um pedido se realiza se a pessoa o fizer a cada um dos mil tsurus.

Há vasta literatura para a confecção de origamis. Pra quem prefere aulas, também há cursinhos rápidos nas maiores cidades. Indicamos o livro “Origami Brilhante” de David Brill por causa das figuras inusitadas que o autor expõe. São Jorge, o cavalo e o dragão, como se vê na capa, são alguns exemplos.

Os limites da palavra

20 de Setembro de 2008 @ 19:26 por Oráculo

“As melhores coisas não podem ser ditas.
E as segundas melhores são mal interpretadas.”
(Heinrich Zimmer)

Meditação

17 de Setembro de 2008 @ 20:39 por Oráculo

Krishnamurti
”Ora, se não se lançam as bases adequadas, não é possível meditar. A base essencial da meditação é o autoconhecimento - o conhecer a si mesmo. Se não conhecemos a nós mesmos, toda meditação, toda contemplação, todas as preces, por mais proveitosas e aparentemente benéficas que sejam, conduzem inevitavelmente a várias formas de ilusão.

A menos que a pessoa comece por estar cônscia de si própria, tanto da parte consciente como da inconsciente, a menos que perceba seus próprios motivos, conflitos, angústias, seu sentimento de culpa, suas ansiedades e desesperos, qualquer forma de meditação, contemplação ou oração só pode levar à auto-hipnose.

A pessoa pode ter visões, porém estas são apenas a projeção de seu próprio condicionamento. O cristão verá Cristo e o hinduísta seu deus especial.

As pessoas que têm essas experiências ficam muito entusiasmadas a respeito delas. Mas o que experimentam, o que vêem em suas visões, é, em verdade, reação de seu fundo, sua educação, seu meio cultural; e, para meditar corretamente, a pessoa precisa estar livre desse condicionamento.

Do contrário, a meditação é a mesma coisa que um círculo vicioso; o condicionamento projeta as visões, e estas, a seu turno, fortalecem o condicionamento.”

Mensagem: “O homem e seus desejos em conflito”, de Krishnamurti.

Haruki Murakami

15 de Setembro de 2008 @ 20:50 por Oráculo

Haruki Murakami
Haruki Murakami nasceu em Kyoto, no Japão, em janeiro de 1949. Cresceu em Kobe e se graduou na Universidade Waseda, em Tóquio. Viveu por quatro anos nos Estados Unidos, onde deu aulas em Princeton, e regressou ao país natal em 1995.

É considerado um dos autores mais importantes da atual literatura japonesa. Sua obra foi traduzida em 34 idiomas e recebeu importantes prêmios, como o Yomiuri, que já foi concedido a autores como Yukio Mishima, Kenzaburo Oe e Kobo Abe. Murakami vive atualmente nas proximidades de Tóquio.

Livros do autor publicados:
- Kafka à beira-mar
- Minha Querida Sputnik
- Norwegian Wood

Uma Ética para o Novo Milênio

12 de Setembro de 2008 @ 21:12 por Oráculo

O décimo quarto Dalai Lama - Tenzin Gyatso - líder atual do budismo tibetano, tem realizado através de seus escritos um importante trabalho social que transcende os dogmas das religiões. Prova disso foi o recebimento em 1989 do Prêmio Nobel da Paz. No livro “Uma Ética para o Novo Milênio”, o Dalai Lama discursa sobre a moralidade na sociedade moderna:

Dalai Lama
”Cada uma de nossas ações conscientes e, de certa forma, toda a nossa vida podem ser vistas como resposta à grande pergunta que desafia a todos: - Como posso ser feliz?

No entanto, estranhamente, minha impressão é que as pessoas que vivem em países de grande desenvolvimento material são de certa forma menos satisfeitas, menos felizes do que as que vivem em países menos desenvolvidos.

(…) A meu ver, criamos uma sociedade em que as pessoas acham cada vez mais difícil demonstrar um mínimo de afeto aos outros. Em vez da noção de comunidade e da sensação de fazer parte de um grupo, encontramos um alto grau de solidão e perda de laços afetivos.

O que gera essa situação é a retórica contemporânea de crescimento e desenvolvimento econômico, que reforça intensamente a tendência das pessoas para a competitividade e a inveja. E com isso vem a percepção da necessidade de manter as aparências - por si só uma importante fonte de problemas, tensões e infelicidade.

O descaso pela dimensão interior do homem fez com que todos os grandes movimentos dos últimos cem anos ou mais - democracia, liberalismo, socialismo - tenham deixado de produzir os benefícios que deveriam ter proporcionado ao mundo, apesar de tantas idéias maravilhosas.

Dalai Lama
(…) Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano - tais como amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia - que trazem felicidade tanto para a própria pessoa quanto para os outros.

É por isso que às vezes digo que talvez se possa dispensar a religião. O que não se pode dispensar são essas qualidades espirituais básicas.”

Egoísmo

11 de Setembro de 2008 @ 20:54 por Oráculo

Uma explicação Zen para o que é egoísmo:

Egoísmo
”O Primeiro Ministro da dinastia Tang era um herói nacional pelo seu sucesso tanto como homem de estado quanto como líder militar. Mas a despeito de sua fama, poder e riqueza, ele se considerava um humilde e devoto budista.

Freqüentemente visitava seu mestre Zen favorito para estudar com ele, e eles pareciam se dar muito bem. O fato de que ele era Primeiro Ministro aparentemente não tinha efeito em sua relação, que parecia ser simplesmente a de um reverendo mestre e seu respeitoso estudante.

Um dia, durante sua visita usual, o Primeiro Ministro perguntou ao mestre: - Mestre, o que é o egoísmo de acordo com o budismo?

O rosto do mestre ficou vermelho, e num tom de voz extremamente desdenhoso e insultuoso ele gritou em resposta: - Que tipo de pergunta estúpida é esta?!?

A resposta inesperada chocou tanto o Primeiro Ministro que este tornou-se imediatamente arrogante e com raiva replicou: - Como ousa me tratar assim?

Neste momento o mestre Zen sorriu e disse: - Isto, Vossa Excelência, é egoísmo…”

Origens do Japão

9 de Setembro de 2008 @ 20:03 por Oráculo

O Japão nasceu como o oriente dos chineses. Essa é a origem do seu nome, “a Terra do Sol Nascente”, Je-Pen, em chinês. Os primeiros habitantes eram os ainus, gente de pele clara cujos poucos remanescentes estão instalados no extremo norte do país.

Japão e migração dos ainus

Esse povo de procedência desconhecida foi deslocado por sucessivas ondas migratórias vindas da China e da Coréia a partir do século V a.C. Os novos habitantes se organizaram em clãs e viviam do arroz, cultivado em unidades autônomas similares aos feudos europeus.

A unificação do país teve início no século VII d.C. Os japoneses se libertaram da tutela chinesa e nomearam um imperador, ao qual se atribuía condição divina. Mas o controle das terras ficou nas mãos dos senhores feudais, que exerciam o poder por meio de uma casta de guerreiros - os samurais.

O sistema imperial desmoronou no final do século XII, quando o Japão passou a ser governado pelo xogum, o chefe militar supremo, cargo que era transmitido de pai para filho. A figura do imperador foi mantida apenas pelo seu significado como símbolo da unidade do país.

Fonte: Revista História Viva - especial Japão, vol. I

Alan Watts

6 de Setembro de 2008 @ 21:23 por Oráculo

Alan Watts (1915-1973)
Nascido na Inglaterra em 1915, Alan Watts, ainda na infância, sentiu-se atraído pelas histórias sobre o Extremo Oriente e passou a ler tudo o que conseguia encontrar sobre o assunto. Com a idade precoce de 16 anos, fazia palestras regulares no templo budista em Londres. Foi lá que conheceu D. T. Suzuki e familiarizou-se com a qualidade iogue do hinduísmo e as influências taoístas do zen-budismo. Anos depois, mudou-se para Nova York onde passou um tempo com o mitólogo Joseph Campbell.

Watts deu aulas de teologia na Universidade Harvard e tornou-se famoso como uma espécie de “guru da contracultura” dos anos 60, época da geração beatnick, quando participou de experiências psicodélicas com LSD junto com o escritor Aldous Huxley (autor de “Admirável Mundo Novo”).

Guru dos hippies, Alan Watts foi um dos pioneiros na introdução e divulgação da sabedoria oriental junto ao Ocidente. Desempenhou um papel crucial nos movimentos alternativos que levaram à formação do conjunto de idéias hoje chamadas de New Age (Nova Era).

Alan Watts

Algumas obras publicadas:

- O Espírito do Zen (um clássico da geração beat)
- Filosofias da Ásia
- Cultura da Contracultura
- O Tao da Filosofia
- Taoísmo: Muito Além da Busca
- Mito e Religião
- O Significado da Felicidade

História do Pensamento Chinês

4 de Setembro de 2008 @ 22:29 por Oráculo

O livro conta a evolução do pensamento chinês desde a dinastia Shang, no segundo milênio a.C, até o movimento de 4 de maio de 1919, que marca de vez a ruptura com o passado.

A autora Anne Cheng oferece uma descrição rica em detalhes sobre as principais etapas e as mais fortes influências que constituíram a história chinesa em seus mais de quatro mil anos.

O formato do livro, entretanto, deixa a desejar. Para uma obra de 816 páginas, o tamanho é reduzido (19 x 12,5cm ), deixando-o no jeito de “tijolinho”, meio incômodo para a leitura. Pela importância da obra, a Editora Vozes poderia ter caprichado mais nesse detalhe.

A Terceira Xícara de Chá

3 de Setembro de 2008 @ 22:23 por Oráculo

Em 1993, Greg Mortenson descia o K2 após uma tentativa mal-sucedida de atingir o pico da montanha. Exausto e desorientado, afastou-se do seu grupo, entrando na região mais desolada do norte do Paquistão. Sozinho, sem água, comida, ou abrigo, chegou a uma aldeia empobrecida do Paquistão, onde foi tratado até se recuperar completamente.

Durante a recuperação, ele viu as crianças da aldeia sentadas ao ar livre, fazendo suas lições riscando o chão de terra com gravetos. A aldeia era tão pobre que não conseguia pagar o salário de um dólar por dia a um professor. Quando deixou a aldeia, prometeu que voltaria para construir uma escola para eles.

A partir daquela promessa, nasceu uma incrível campanha humanitária: a missão assumida por Greg Mortenson de combater os extremistas e o terrorismo construindo escolas – especialmente para meninas – por toda a região dominada pelo Talibã.

Alunos no Afeganistão

Mortenson não tinha razões para acreditar que conseguiria cumprir sua promessa. Num primeiro esforço de levantar dinheiro, escreveu cartas para 580 celebridades e a única resposta que recebeu foi um cheque de cem dólares. Vendeu tudo que possuía, mas só conseguiu US$2 mil. A sorte começou a mudar quando um grupo de alunos de uma escola em Wisconsin doou US$623 em moedas de um centavo, inspirando assim adultos a apoiarem sua causa mais seriamente. Doze anos mais tarde, ele havia construído 55 escolas.

Alunos da escola

Mortenson e o jornalista David Oliver Relin escreveram um relato sobre suas conquistas numa região onde os norte-americanos são temidos e odiados. Em busca do objetivo, Mortenson sobreviveu a um seqüestro armado, fatwas lançados por mulás enfurecidos, sucessivas ameaças de morte, e separações da mulher e filhos. Apesar de tudo, seu sucesso fala por si. Este ano as escolas educarão 24 mil crianças.

Sobre o autor: Greg Mortenson